Ep. 10

Entre o empreendedorismo e o corporativo // com Luanna Teófilo

Largar a estabilidade por escolha — quando o emprego é concurso público, a decisão é mais pesada do que parece de fora. Luanna Teófilo largou duas vezes: da carreira jurídica no Banco do Brasil e de um percurso acadêmico previsível, para morar em Paris e Buenos Aires sem garantia nenhuma de retorno. Em Paris, se sustentou com faxina e passeio de cães enquanto se graduava em Linguística Computacional na Sorbonne. Trabalhou nas primeiras startups parisienses antes de voltar ao Brasil com um olhar diferente para o mercado. Em 2015, fundou o Painel BAP — primeiro painel de pesquisa afro-brasileiro do país — e tocou o negócio por sete anos, reinvestindo metade do próprio salário, até ser acelerada pela Feira Preta e pela Meta. Hoje é Senior Product Manager no Itaú Unibanco. E vive, na prática, a ambidestria que poucos conseguem sustentar: o rigor e escala do corporativo de um lado, a cultura de construção do empreendedorismo do outro. Nesse episódio, Luanna e Felipe falam sobre o que significa operar nos dois mundos sem pertencer completamente a nenhum, o que produto aprende com empreendedorismo e o que empreendedorismo aprende com escala corporativa. E sobre o custo — financeiro, emocional, de identidade — de construir algo com identidade própria quando o mercado ainda não sabe onde te encaixar.

Luanna Teófilo

Luanna Teófilo

Senior Product Manager no Itaú Unibanco

Luanna Teófilo largou um cargo concursado no Banco do Brasil para morar em Paris e Buenos Aires. Com formação em Direito, foi se sustentar com faxina e passeio de cães enquanto se graduava em Linguística Computacional na Sorbonne. Passou pelas primeiras startups parisienses antes de voltar ao Brasil e fundar o Painel BAP, primeiro painel de pesquisa afro-brasileiro do país. Tocou o negócio por sete anos — nos primeiros quatro, cinco, reinvestindo metade do próprio salário — até ser acelerado pela Feira Preta e Meta. Hoje é Senior Product Manager no Itaú Unibanco.

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Destaques desse Episódio

Luanna Teófilo tocou o Painel BAP — primeiro painel de pesquisa afrobrasileiro do país — por sete anos, bancando os quatro primeiros com metade do próprio salário, enquanto seguia empregada em tempo integral em outras empresas. Em 2023, depois de duas tentativas de captar investimento que não avançaram, o negócio fechou. A conversa com Felipe pega essa história pouco antes do ponto em que ela se torna PM sênior no Itaú.

Tópicos abordados:

  • Formada em direito, mas nunca teve dúvida que não exerceria: passou oito anos no Banco do Brasil (concursada aos 18, chamada aos 20) sempre soube que aquilo era provisório, até pedir demissão depois de faltar 29 dias seguidos ao trabalho.
  • "Quem faz de tudo não é bom em nada": ouviu a frase de um empresário que se levantou e saiu no meio da entrevista de emprego — anos depois, a mesma trajetória generalista virou o perfil que empresas de produto passaram a procurar.
  • Um painel de pesquisa nascido de uma ligação para a Suécia: sem capital e sem sócios, telefonou para uma empresa de tecnologia sueca, apresentou a ideia e recebeu a tecnologia cedida — assim nasceu o Painel BAP, onde participantes de pesquisas de mercado eram remuneradas e podiam receber em dinheiro ou usar o valor em produtos e serviços de afroempreendedores.
  • Dois fracassos de captação que encerraram o negócio: em 2023, um empréstimo público consumiu tempo e dinheiro em exigências burocráticas, e um investidor da Faria Lima disse que investe na pessoa, não no negócio — mas não investiu nela.
  • O balancete que mostrou o tamanho do sacrifício: ao fechar as contas, descobriu que havia colocado na empresa o equivalente a um apartamento inteiro em dinheiro, enquanto morava num apartamento vazio, sem dinheiro para móveis — e decidiu encerrar para não seguir atrasando o pagamento do time.
  • De seis meses desempregada a PM sênior no Itaú: depois de doze entrevistas só para o processo do Google, foi contratada pelo banco e passou a enxergar como vantagem estrutural o que colegas de carreira única ali dentro veem como limitação.

Momento que ficou:

"As pessoas não têm ideia do que é você ser uma empresa e ser uma favela [...] falta tudo, falta as coisas de verdade assim, só que é tanto potencial, é tanta criatividade que acontece." — Luanna Teófilo
"Tem uma coisa que chama eutagogia, que é a capacidade de aprender e estudar sozinho [...] aprenda a aprender sozinho, que aí você não vai ficar com medo." — Luanna Teófilo

Quem se interessou pela versatilidade como estratégia de carreira encontra no episódio com Adalberto Silvestre (Carreira T-shaped) o contraponto direto — como construir amplitude de habilidades sem virar generalista sem direção.

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