Ep. 11

O Que Ninguém te Conta Sobre Crescer na Carreira Comercial // com Denis Tassitano

Vender é o trabalho que mais emprega no Brasil e o que menos se trata como carreira de verdade. Existe uma narrativa sobre vendas que mistura talento nato com volume de atividades — e Denis Tassitano passou a carreira desmontando essa narrativa. Formado em Publicidade com extensão na NYU, Denis começou na Microsiga — hoje TOTVS — em vendas indiretas de tecnologia. Fez uma passagem pelo marketing esportivo, com trabalho em Corinthians e Flamengo, antes de migrar definitivamente para a área de tecnologia corporativa. Teve duas passagens pela SAP, com um período empreendendo entre elas. Hoje é Diretor de Receita da SAP, responsável por estratégia comercial e performance da operação. Fora do cargo principal, fundou o Best in Black, hub de conexões estratégicas voltado à comunidade negra, e é cofundador da Pactuar, organização de mentoria e formação de lideranças — o que diz muito sobre como ele pensa networking: não como troca transacional, mas como construção de longo prazo. Nesse episódio, Denis e Felipe falam sobre os mitos que travam quem está na carreira comercial — e os que travam quem deveria levá-la mais a sério. Discutem o que diferencia alto desempenho em vendas de alto impacto em gestão, e por que a maioria dos vendedores excepcionais falha na transição para liderança pelo mesmo motivo. Uma conversa sobre carreira comercial como escolha estratégica — não como default de quem não conseguiu outra coisa.

Tema relacionado:Liderança
Denis Tassitano

Denis Tassitano

CEO da Swile Brasil

Quem trabalhou no marketing de Corinthians e Flamengo não costuma terminar como CEO da Swile Brasil. Denis Tassitano fez esse caminho — formado em Publicidade com extensão na NYU, começou na Microsiga (hoje TOTVS) em vendas indiretas de tecnologia, passou pelo marketing esportivo e voltou definitivamente para a área. Teve duas passagens pela SAP, com um período empreendendo entre elas, e chegou a Diretor de Receita antes de assumir, em 2026, o comando da Swile Brasil. Fundou o Best in Black, hub de conexões estratégicas para a comunidade negra, e é cofundador da Pactuar, de mentoria e formação de lideranças.

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Destaques desse Episódio

Denis Tassitano fez a pior entrevista da vida na SAP — e ainda assim foi contratado, chegou a vice-presidente comercial da empresa e hoje é CEO da Swile Brasil. Faltava um mês para a maratona de Nova York quando se machucou; no dia da entrevista, ele ia justamente saber se precisaria operar — e a cabeça não estava na sala. Ele passou porque um amigo já tinha avisado ao entrevistador que o cara era bom. A conversa com o Felipe parte desse detalhe para tratar do que sustenta uma carreira comercial — contratação, a passagem de vendedor para executivo e a prática real do networking.

Tópicos abordados:

Vaga afirmativa e o mito do inglês perfeito: Denis conta que aprendeu inglês porque o pai — ex-jogador do Corinthians, da Portuguesa, do Fluminense e da seleção brasileira, que enfrentou o Pelé nos Estados Unidos — foi jogar lá; hoje, cursos online tornaram esse acesso muito mais democrático, o que esvazia a desculpa de que vaga afirmativa exige abrir mão do idioma.

A entrevista que quase não aconteceu: a um mês da maratona, recém-machucado e prestes a saber se precisaria operar, Denis foi mal na primeira entrevista da SAP — e só avançou porque o amigo Franklin já tinha indicado seu nome antes.

Os pecados da contratação em vendas: segundo Denis, o turnover alto em times comerciais nasce de erros recorrentes — contratar rápido demais, pular o onboarding, não investir em ferramentas e colocar o vendedor num território ruim sem investigar por que a conta nunca vendeu ali.

Cruzar a "linha da arrebentação": a diferença entre ser um vendedor excepcional e virar executivo, para Denis, é entender a empresa inteira — compliance, estoque, entrega — e não só a própria área; foi trabalhar com ERP desde 1998 que lhe deu essa visão sistêmica.

O método dos 10 nomes: no livro que escreveu sobre networking, Denis propõe listar 10 pessoas que marcaram a carreira e contatar cada uma só para agradecer, sem pedir nada em troca.

A economia da solidão: diante do crescimento dos lares unipessoais e da dificuldade de manter amizades, Denis aponta o hábito de terceirizar toda interação — do mercado à padaria — e defende reservar horas do dia, de forma deliberada, para presença real com outras pessoas.

Momento que ficou:

"Eu gosto muito de trabalhar com quem me complementa. Porque se for igual a mim, não vai me complementar." — Denis Tassitano

"O topo da pirâmide do networking é amizade, não é negócio." — Denis Tassitano

Quem quiser aprofundar a passagem de especialista para gestor de pessoas encontra no Ep. 06, com Renato Chaves, o contraponto de quem fez esse mesmo trajeto saindo da carreira técnica.

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