Ep. 9

Carreira em finanças: Oportunidades pouco exploradas no mercado financeiro // com Carlos Alexandre

Carlos Alexandre assumiu a primeira posição de gestão aos 24 anos em São Paulo — depois de um período no exterior que não foi intercâmbio. Foi para aprender inglês, porque sabia que a língua era um bloqueio real de ascensão e queria eliminá-lo antes que alguém o eliminasse por causa dele. Formado em Administração Industrial pelo CEFET no Rio de Janeiro, começou como estagiário na ICAP, corretora internacional, e cresceu até liderar operações. Assumiu a primeira posição de gestão aos 24 anos em São Paulo, após um período no exterior para aprimorar o inglês — não como experiência de intercâmbio, mas como movimento calculado de quem sabia que a língua era um bloqueio real de ascensão. O próximo desafio foi estruturar do zero uma plataforma de investimentos para pessoa física, vendida posteriormente à XP. Chegou ao Santander como Operations Manager, acumulando também a gestão de administração de fundos. Nesse episódio, Carlos e Felipe falam sobre o que significa construir carreira em finanças sem a origem esperada — sem o nome de escola no currículo, sem a rede pronta desde a faculdade. Discutem por que entrar por caminhos laterais pode ser estratégia, o que liderança precoce exige de quem ainda não tem experiência para sustentar a autoridade sozinho, e como usar o espaço que você ocupa para mudar o ambiente — não apenas navegar nele. Uma conversa sobre finanças que é, na prática, sobre como se constrói acesso.

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Carlos Alexandre

Carlos Alexandre

Operations Manager no Santander

Carlos Alexandre estruturou do zero uma plataforma de investimentos para pessoa física — e depois a vendeu para a XP. Por trás dessa operação está uma trajetória que começa como estagiário na ICAP, corretora internacional onde ficou 15 anos e chegou a liderar operações. Formado em Administração Industrial por instituição técnica federal no Rio de Janeiro, foi ao exterior para eliminar o inglês como barreira e assumiu gestão pela primeira vez aos 24 anos, em São Paulo. Hoje é Operations Manager no Santander, onde acumula a administração de fundos e apoia programas de diversidade e educação financeira.

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Destaques desse Episódio

Carlos Alexandre passou 15 anos na mesma corretora, a inglesa ICAP, antes de ser contratado pelo Santander — o banco estrangeiro que ele tinha como meta havia anos. A conversa com Felipe começa exatamente nesse contraste: sair de uma empresa de 250 pessoas para um banco com mais de 50 mil funcionários, trocando a aprovação de projeto numa sala de reunião pelo aval de comitês de risco e de Madrid.

Tópicos abordados:

  • Os três blocos do mercado financeiro, explicados com um caso real: Carlos divide o mercado em front, middle e backoffice, e usa o exemplo de uma exportadora se protegendo do câmbio com derivativo de dólar para mostrar como cada área entra na operação.
  • Por que o backoffice não se aprende em faculdade: existe formação para front e para middle office no mercado, mas o profissional de backoffice precisa ser formado dentro da própria empresa, estudando produto e processo na prática do dia a dia.
  • Assumir a primeira liderança aos 24 anos, chefiando profissionais com quase 30 anos de carreira na área: a saída foi arregaçar as mangas para provar domínio técnico antes de tentar mudar qualquer processo da equipe.
  • A parede de vidro que separou operações da pressão da mesa comercial: sem divisória física entre backoffice e front, a equipe recebia interrupção constante, e a solução literal virou símbolo de reconhecimento do trabalho.
  • A virada para o varejo, e a plataforma que a XP comprou meses depois: em 2019, Carlos voltou ao Rio para lançar uma solução de investimentos para pessoa física dentro da ICAP.
  • O conselho para o Carlos de 20 anos: menos tempo isolado no aprofundamento técnico e mais tempo construindo rede de contatos, diferença que ele credita ao contraste de oportunidades entre Rio e São Paulo.

Momento que ficou:

"Você consegue ser um bom executivo de front sem conhecer o back, mas você não consegue ser um bom executivo de back sem conhecer do front." — Carlos Alexandre
"A gente colocou literalmente uma parede de vidro, porque a gente que trabalha no mercado financeiro sabe que as mesas têm essa crença de que a gente não tá lá para atender. Então eu falei: vamos botar uma parede de vidro mesmo, para eles verem que a gente tá aqui trabalhando, mas vamos dar um pouco mais de paz para desenvolver o nosso trabalho." — Carlos Alexandre

Quem se interessou por essa passagem de especialista técnico para gestor de gente encontra um raciocínio parecido no papo com Renato Chaves sobre carreira técnica → gestão de pessoas (Ep. 06).

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