Ep. 8
Carreira em Tech: De desenvolvedor a executivo de tecnologia // Com Martin Luther
Martin Luther virou gestor na Natura depois de anos como especialista técnico — e sentia vontade de voltar para o caminho técnico toda vez. O que ele sentiu não foi vazio: foi insegurança. E foi ela que o fez construir outro repertório. A carreira em Y, que ele descreve como quase paralela, não é uma teoria — é a estrutura que permitiu que um trainee de tecnologia do JP Morgan chegasse a empreender e liderar uma consultoria especializada em automação industrial. O caminho passou pela Natura, onde gerenciou infraestrutura tecnológica para toda a América Latina, por um período nos EUA, e por uma decisão deliberada de fundar a BITi9 em 2015. Nesse episódio, Martin e Felipe Ladislau discutem o que muda quando um especialista técnico assume posição de liderança — a insegurança da primeira gestão, a diferença entre saber fazer e saber alinhar, e por que o número de reportes diretos importa mais do que a maioria dos executivos reconhece. Falam sobre a compressão dos ciclos de transição e o que "aprender a aprender" significa na prática quando a janela de relevância técnica fica cada vez menor. E sobre inteligência artificial: não como tendência, mas como variável concreta que está redesenhando o que é trabalho técnico qualificado — e o que resta para o humano fazer quando o no-code e a IA absorvem a execução. Para quem está em tecnologia e ainda não decidiu para onde vai a carreira.

Martin Luther
CEO da BITi9
Martin Luther gerenciava infraestrutura tecnológica para toda a América Latina na Natura quando decidiu parar e empreender do zero. Antes disso, entrou no JP Morgan como trainee de tecnologia e fez intercâmbio nos EUA — anos que moldaram sua convicção de que código e resultado de negócio precisam estar conectados. Em 2015, fundou a BITi9, consultoria especializada em automação e integração de dados para os setores automotivo e industrial. A empresa criou um modelo de automação por assinatura e evoluiu para incluir inteligência artificial aplicada a processos produtivos. Formado em Sistemas de Informação com MBA em Administração Estratégica.
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Quando decidiu empreender, Martin Luther teve um objetivo específico: eliminar da própria empresa a politicagem que via nas corporações onde passou. Fundou a BITi9 em 2015 com uma regra simples — sempre deixar espaço vago, para a pessoa preencher, em vez de brigar por cargo. A conversa com Felipe Ladislau atravessa o caminho até essa decisão: do computador desmontado aos nove anos até a cadeira de CEO, passando pela primeira gestão na Natura, que ele lembra pela insegurança.
Ele leu o estatuto do banco e não esperou — No JP Morgan, o caminho previsto entre trainee e coordenador ou analista sênior era de quase dez anos. Martin olhou para o prazo, concluiu que não ia dar, e com dois ou três anos de casa saiu para fazer intercâmbio.
Vinte reportes diretos não é motivo de orgulho — Martin chama de vaidade ter tido mais de vinte pessoas subordinadas na Natura e recomenda hoje no máximo dez — idealmente menos de seis — para sobrar tempo de conversa de qualidade com cada uma.
O líder é o "sanfona" — A imagem que ele usa com o próprio time: "o líder ele é o sanfona, ele está no meio da história". Estica para cima para entender o que o presidente espera e desce até quem põe a mão na massa. A saída, diz Martin, é encurtar essa zona de atuação — o que passa por liderar também para cima.
O antídoto contra ser testado pelo time técnico — A regra que segue até hoje: nunca entrar numa reunião sem repassar a pauta pelo menos cinco minutos antes, porque despreparo mostra fragilidade e fragilidade custa credibilidade diante da equipe.
Ser bom não basta se você não é escasso — Ele compara o profissional a um produto de prateleira: quem entrega o mesmo que todo mundo compete por preço, e o que garante lugar de destaque é ocupar um espaço onde poucos conseguem chegar.
Por que o ciclo entre carreira técnica e gestão está encolhendo — Segundo Martin, a transição que levava trinta anos passou para quinze, depois dez, e caminha para cinco — com IA e ferramentas no-code empurrando essa virada para uma janela de meses, não de décadas.
"Hoje eu acredito que a maior capacidade de qualquer profissional é aprender a aprender." — Martin Luther
"Aquele que sabe de tudo, ele não é escasso." — Martin Luther
Se o dilema entre ser especialista e virar gestor te interessa, o Ep. 06 com Renato Chaves mostra a mesma virada — de carreira técnica para gestão de pessoas — sob outro ângulo.
