Ep. 6

Carreiras técnicas e a gestão de pessoas // com Renato Chaves

Marketing técnico — SEO, CRM, mídia paga, performance, e-commerce — tem uma armadilha que ninguém menciona nos cursos: você pode dominar todas as ferramentas e ainda não saber liderar quem as opera. Renato Chaves percebeu isso cedo. Começou no comercial do Buscapé vendendo CPC, migrou para SEO quando a área ainda era exótica nos organigramas brasileiros, e foi construindo uma carreira em performance digital que culminou na Azul Linhas Aéreas, onde estruturou do zero a primeira mesa de marketing de performance da empresa — integrando orgânico, mídia paga, CRM e CRO numa operação única. O aprendizado que tirou desse processo não está nos cursos: está na prática de explicar "por quê" para líderes que não entendem de canal, de distribuir mérito sem perder autoridade, e de liderar pelo exemplo antes de cobrar o que você mesmo não entrega. Nesse episódio, ele e Felipe Ladislau discutem o que separa o especialista técnico do líder de growth — não como abstração, mas como escolhas cotidianas de gestão. Falam sobre a base analítica como linguagem comum entre áreas, o que ROI tem a ver com confiança política dentro das organizações, e como empreender paralelamente — Renato fundou o blog Mundo SURF e o e-commerce Paddles — funciona como escola acelerada de tomada de decisão. Para quem veio da técnica e está descobrindo que liderar gente é uma competência completamente diferente.

Renato Chaves

Renato Chaves

Gerente Sênior de Growth na Leo Madeiras

Renato Chaves começou no comercial do Buscapé vendendo CPC, migrou para SEO e construiu carreira em performance digital. Na Azul Linhas Aéreas, estruturou a primeira mesa de performance da empresa, integrando orgânico, mídia paga, CRM e CRO. Em seguida, atuou na implantação de operações de growth em grandes varejistas em processo de digitalização. Hoje é Gerente Sênior de Growth na Leo Madeiras. Paralelamente, criou o blog Mundo SURF — que chegou a 40 mil visitas mensais — e fundou a Paddles, e-commerce de surf e SUP que usa como laboratório pessoal de experimentação.

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Destaques desse Episódio

Renato Chaves ficou dez anos na Azul e nunca levou uma proposta de mercado para negociar salário — só comunicou a saída quando decidiu ir embora, no período pós-pandemia. Hoje gerente sênior de growth na Léo Madeiras, ele viveu os primórdios do Buscapé e passou pela Lerói Merlin montando a primeira área de growth da empresa no Brasil. Chega para a conversa com o Felipe carregando uma questão que nunca resolveu nos livros: como um profissional que aprendeu tudo fuçando — programação, SEO, design — virou gestor sem nunca ter estudado liderança.

Tópicos abordados:

  • Do sonho de empreender ao "ferramenteiro" que virou gestor. Renato tentou abrir agência, aprendeu programação e SEO para isso e fez curso de design; nenhum negócio próprio decolou, mas cada tentativa frustrada virou repertório técnico que hoje usa para orientar o time.
  • Por que ser técnico protege o negócio. Para ele, um líder sem histórico técnico corre o risco de repassar direcionamentos sem sentido vindos de um liderado e deixar esse erro escalar sem perceber.
  • O jogo político que ele nunca quis jogar. Filho de um metalúrgico sempre envolvido com movimento e política de bairro, herdou de casa a capacidade de articulação, mas evitou aparecer para colher crédito — e credita a isso ter subido de cargo mais devagar que colegas de mercado.
  • Distribuir crédito em vez de acumular. Ao contrário de gestores que insistem em estar em toda entrega para a diretoria, ele prefere ficar de fora e deixar o próprio analista apresentar o resultado ao diretor.
  • Honestidade como o único pilar que nomeia. Gerindo orçamentos de mídia de 6 a 10 milhões por mês, ele resume liderança a uma palavra: dizer a verdade sobre o que espera de cada pessoa — inclusive quando a verdade é liberar alguém para uma oportunidade melhor, como o Itaú ou o Google.
  • Especialista primeiro, generalista depois. Defende que no início de carreira o profissional precisa dominar uma disciplina (SEO, CRM, mídia paga) antes de ampliar repertório — e hoje monta times em que cada especialista troca conhecimento com os outros.

Momento que ficou:

"Vai, você vai me fazer falta, você vai me quebrar, vou ter que achar outro cara como você, mas vai, porque faz sentido." — Renato Chaves

"Vai lá, você que vai falar com o diretor: isso aqui foi uma entrega da fulana, porque naturalmente se é o meu time que tá entregando. Eu tô orquestrando tudo isso." — Renato Chaves

Quem quiser aprofundar a mesma escolha entre virar especialista e virar gestor encontra no Ep. 08, com Martin Luther, o contraponto vindo de dentro da carreira em tecnologia.

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