Ep. 5
Liderança e Resiliência // com Juliana Oliveira
Juliana Oliveira fundou uma agência de comunicação com um posicionamento que incomodava clientes em potencial: executivos negros não seriam colocados em editorias de diversidade. Só em pautas de negócios e estratégia. Ou ela não aceitava o cliente. Jornalista de formação com 17 anos de experiência em tecnologia e inovação, Juliana fundou a Oliver Press em 2015 com um posicionamento claro: posicionar executivos e empreendedores negros em pautas de negócios e estratégia — não em editorias de diversidade, que costumam isolar em vez de integrar. Nos últimos cinco anos, expandiu a atuação para comunicação antirracista e ESG, com clientes como XP e Ambev. É vencedora do Troféu Mulher Imprensa e foi palestrante na Assembleia Geral da ONU em Nova York. Hoje é CEO majoritária da Oliver Press, em sociedade com um grupo maior de comunicação. Nesse episódio, ela e Felipe Ladislau falam sobre o que liderança real exige quando você está construindo algo do zero sem rede de segurança do emprego formal — e por que resiliência não é suportar mais, mas aprender a reagir diferente. Discutem o que significa criar uma empresa com identidade clara num mercado que prefere agradar a todos, e o custo de manter coerência quando o caminho mais fácil seria ceder. Uma conversa sobre carreira e liderança com alguém que reinventou o negócio mais de uma vez — e sabe distinguir pivô estratégico de desistência disfarçada.

Juliana Oliveira
CEO e fundadora da Oliver Press
A Oliver Press nasceu de uma aposta incômoda: executivos e empreendedores negros pertencem às pautas de negócios e estratégia — não só às de diversidade. Juliana Oliveira fundou a agência em 2015, depois de 17 anos de carreira em tecnologia e inovação, e transformou essa premissa em negócio. Nos cinco anos seguintes, expandiu para comunicação antirracista e ESG, atendendo clientes como XP e Ambev. Vencedora do Troféu Mulher Imprensa e palestrante na Assembleia Geral da ONU em Nova York, hoje é CEO majoritária da Oliver Press, em sociedade com um grupo maior de comunicação.
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Em 2025, a Oliver Press — agência que Juliana Oliveira fundou em 2005 e que sempre foi um negócio 100% de mulheres — passou por uma fusão com um grupo de sócios homens. Foi também o ano em que ela cortou os dois maiores clientes da carteira, ambos de diversidade, para não deixar a agência presa a um único nicho. A conversa com Felipe entra bem nesse momento, que Juliana chama do próprio MBA mais difícil: decisões atrasadas sobre pessoas, equipe reconstruída do zero e a definição de CEO que ela carrega hoje.
Tópicos abordados:
- Jornalista sem MBA de empreendedorismo — Juliana abriu a Oliver Press em 2005 sem nunca ter estudado o tema; o aprendizado veio de atender mais de 300 empreendedores como fonte, entre eles quem lhe ensinou que um negócio só para quando o dono decide se ainda dá para subir do fundo do poço.
- A frase que virou ferramenta de trabalho — "me explica como se eu tivesse 5 anos" nasceu quando ela cobria tecnologia sem entender nada de TI e ainda hoje é o que ela usa dentro do grupo com o qual acabou de se fundir.
- Conselheira sem cadeira executiva no currículo — convidada há três anos para um curso de formação, ela entrou sem nunca ter atuado dentro de uma grande corporação, e descobriu que a experiência de quem usa recurso próprio para manter o negócio de pé também tem lugar à mesa do conselho.
- O arrependimento que ela nomeia sem rodeio — demorar para desligar profissionais desalinhados com a cultura da empresa, mesmo depois de feedbacks repetidos e da certeza de que o caráter não muda.
- O corte que mais doeu — tirar da carteira os dois clientes de diversidade que mais sustentavam a Oliver Press, para não ficar restrita a um único nicho de atuação.
- Cultura como critério, não discurso — a definição de CEO que ela aplica hoje: manter o "não" debaixo do braço e seguir atrás do "sim", porque o medo já foi processado no não que ela já ouviu.
Momento que ficou:
"Nem sempre o melhor do seu time, às vezes o melhor profissional técnico é aquele que vai derrubar sua equipe. E eu já passei por isso." — Juliana Oliveira
"O não a gente já tem, galera. Vamos agora em busca do sim, porque o não é o medo. Pega este não, põe ali debaixo do braço e vai." — Juliana Oliveira
Quem quiser seguir a fricção entre proficiência técnica e liderança de pessoas encontra no episódio com Renato Chaves (Carreira técnica → gestão de pessoas) o mesmo dilema visto de outro ponto de partida.
