Ep. 2

PLANEJAMENTO DE CARREIRA com Vanessa Pimentel

Vanessa Pimentel parou de propósito. Tinha saído de um cargo executivo, não tinha emprego novo e não ia procurar um — não ainda. Para quem passou por TV Globo, Sistema S e Michelin global, parar foi a decisão mais estratégica de toda a carreira. Vanessa Pimentel passou por ambientes radicalmente distintos — TV Globo, Sistema S, Michelin global, com passagem pela França — e em cada um aprendeu que as regras do jogo mudam conforme o contexto. Não é quem sabe mais que avança. É quem consegue ler o ambiente, calibrar o próprio comportamento e navegar sem perder quem é. O custo dessa performance, porém, tem nome: autocobrança sem limite, exaustão que não aparece nos relatórios de desempenho, e uma identidade que vai se confundindo com o cargo. Vanessa não esconde esse lado. Leva para a sala de aula — e para as conversas que tem como professora da Fundação Dom Cabral — os seus próprios erros, não apenas as histórias bonitas. Nesse episódio, ela e Felipe falam sobre planejamento de carreira com honestidade rara: o que significa saber para onde você quer ir quando a aceleração virou norma. Discutem autoconhecimento não como conceito abstrato, mas como ferramenta de tomada de decisão. Falam sobre a importância de fazer menos, com mais qualidade e impacto — numa cultura que confunde volume com resultado. E sobre o momento em que parar deliberadamente — como ela fez antes de fundar a Sankofa — pode ser a escolha mais estratégica de uma carreira inteira. Para quem já alcançou o suficiente pelo critério dos outros e ainda não sabe o que quer pelo próprio.

Vanessa Pimentel

Vanessa Pimentel

Professora da Fundação Dom Cabral e sócia-fundadora da Sankofa

Vanessa Pimentel saiu de um cargo executivo global na Michelin sem ter o próximo emprego confirmado. A escolha foi deliberada, e incomodou muita gente. Formada em Direito, migrou cedo para RH. Passou pela TV Globo, onde ganhou exposição a decisões estratégicas, pelo Sistema S, onde aprendeu a navegar em ambientes de lógica política, e pela Michelin em nível executivo global, com passagem pela França. Depois fundou a Sankofa, consultoria de RH para startups e pequenas empresas. É professora convidada da Fundação Dom Cabral em liderança, levando histórias reais — inclusive os próprios erros.

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Destaques desse Episódio

Vanessa Pimentel fez Direito porque era o caminho que a família esperava — pai funcionário público, profissão segura. Durante a faculdade, ela trabalhava numa cabine de foto 3x4 e chegou a estagiar na área jurídica, antes de migrar para Recursos Humanos por um convite, sem nenhum plano.

Hoje é sócia fundadora da Sankofa, consultoria de RH para startups e PMEs, e professora na Fundação Dom Cabral. A conversa com o Felipe começa exatamente no ponto em que a carreira dela deixou de seguir um roteiro.

Tópicos abordados:

  • Da cabine de foto 3x4 ao RH, sem plano nenhum: Vanessa migrou de área por um convite, não por planejamento — e hoje aponta que o mercado ainda não sabe traduzir em competência a escuta e a leitura de expressão que aprendeu atendendo clientes na cabine de foto 3x4 durante a faculdade.
  • Cinco carreiras, não uma: cita dado do Fórum Econômico Mundial segundo o qual as novas gerações devem ter, em média, cinco carreiras diferentes e passar por pelo menos 15 empresas ao longo da vida — o que torna, na visão dela, o recrutamento baseado só em trajetória linear ultrapassado.
  • O feedback que ninguém dá depois de um certo nível: concorda que, quanto mais alto na carreira, menos feedback direto se recebe — embora pondere que isso também depende do modelo de gestão de cada organização — e recorre à própria vivência na cabine de foto 3x4 para explicar por que aprender a ler o que não é dito virou competência de carreira.
  • Trânsito político, adotado com ressalva: usa o termo sem gostar dele — "não gosto muito dessa palavra, mas está faltando aqui uma melhor" — e oferece "capacidade de mobilização" como formulação mais atenuada do mesmo ponto. Para ela, influenciar exige credibilidade e uma relação de confiança já construída; quem vem de um lugar sem esses acessos tende a apostar só no resultado e não constrói essas conexões internas.
  • O sabático não foi impulso, foi planejamento e antecipação: descreve o período sabático que tirou no auge de uma posição executiva como decisão amadurecida com antecedência — mapeamento de competências e planejamento financeiro incluídos —, não uma pausa decidida da noite para o dia.

Momento que ficou:

"A carreira é sua, né? A carreira não é da organização, a carreira não é do seu gestor." — Vanessa Pimentel
"Quando a pessoa pega a foto, ela não precisa nem falar nada, né? Você já viu na cara dela que não tava legal." — Vanessa Pimentel

Quem quiser aprofundar a questão que atravessa toda essa conversa — como transformar vivência em competência reconhecida pelo mercado — encontra no episódio com Camila Novaes (Desenvolvimento de competências) o desdobramento direto desse ponto.

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