Ep. 3
DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS // com Camila Novaes
Em 26 anos de marketing, Camila Novaes aprendeu cedo a perguntar ao mercado quanto ela valia — e a cobrar isso. Ninguém fez isso por ela. Mas a trajetória não-linear tem um custo que pouca gente menciona: você precisa saber exatamente quanto vale no mercado em cada momento, ou vai aceitar salário de generalista fazendo trabalho de especialista. Camila aprendeu cedo a perguntar ao mercado quanto você vale — e fala sobre isso sem rodeio. Nesse episódio, ela e Felipe Ladislau desmontam a ideia de que desenvolvimento de competências é acúmulo de cursos. O que de fato forma um profissional de marketing de alto nível — e, por extensão, qualquer profissional de carreira longa — são três vetores: conhecimento técnico aplicado, rede construída com intenção, e mentoria de quem está dois níveis acima de onde você quer chegar. Camila fala sobre como geriu múltiplas marcas e governanças na Visa, o que aprendeu coordenando ativações em Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, e como a visão 360° de marketing — que inclui eventos, patrocínios, mídia e trade — muda a forma como você toma decisão dentro de uma organização. E fala sobre tempo: o recurso mais caro que existe numa carreira, e o que diferencia quem escolhe formação de quem coleciona credenciais. Uma conversa para quem quer construir longo, não aparecer rápido.

Camila Novaes
Diretora de Marketing na Visa
Camila Novaes aprendeu circuitos elétricos na Escola Técnica Federal de São Paulo — e construiu mais de 26 anos de carreira em marketing por setores completamente distintos. Formada em Relações Públicas pela UNESP, passou por Sony e Cielo antes de chegar à Visa, onde é Diretora de Marketing responsável por parcerias com bancos, fintechs e varejistas — incluindo ativações em Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Reconhecida como Women to Watch 2022, é colunista do Meio & Mensagem e indicada ao Prêmio Caboré na categoria Profissional de Inovação.
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Em 1999, o diretor da White Martins levou o carro para consertar na concessionária onde Camila Novaes tinha acabado de estagiar — e perguntou se alguém sabia de um profissional para a central de atendimento. Foi assim que começou a carteira assinada que segue ativa, sem interrupção, 26 anos depois. Hoje diretora de marketing na Visa, Camila conversa com o Felipe sobre o que de fato forma uma carreira: escolha de formação, tempo investido e as competências que o mercado chama de soft skills.
Tópicos abordados:
- Seis anos aqui, quatro ali: por que ciclos longos não são desvantagem. Camila ficou 4 anos e meio na White Martins, 6 anos e meio na Sony e mais 4 anos e meio na Cielo antes de assumir a gerência na Sony Mobile — e hoje, entrevistando candidatos na Visa, diz que olha mais a trajetória da pessoa do que se ela está ou não empregada no momento da vaga.
- O conselho do amigo que mudou o salário: pergunte pro mercado quanto você vale. Incomodada com a diferença entre o que fazia e o que ganhava na Sony, ouviu de um amigo que deveria testar entrevistas para descobrir seu valor real — foi assim que surgiu a proposta que a levou, em 2009, para a então Visanet, hoje Cielo.
- Formação escolhida com cálculo, não por moda. Da Escola Técnica Federal de São Paulo ao MBA executivo em Negócios Globais na FGV, passando por um curso em Harvard sobre lideranças emergentes, cada formação resolveu uma lacuna que ela identificou antes de se inscrever.
- A Rede de Profissionais Negros e o jogo de cintura como herança. No comitê executivo do coletivo, Camila articulou mentorias e eventos dentro de empresas como Google, Microsoft e Ernst & Young — e liga a habilidade de negociar e conduzir conversas difíceis a algo que pessoas negras desenvolvem antes mesmo de entrar no mercado.
- A visão de helicóptero que aprendeu a descer sem perder altura. Ao assumir posições de gerência e direção, Camila passou a descrever sua atuação como um olhar de cima — descer quando o time precisa, fazer o arco e subir de novo sem virar protagonista da execução alheia.
- Três pilares para quem quer crescer de verdade. No fechamento, ela resume um plano de desenvolvimento em conhecimento com clareza de objetivo, construção de rede e mentoria nos dois sentidos — incluindo buscar contato direto com profissionais dois níveis acima, o "skip level".
Momento que ficou:
"Sou uma CLT com orgulho, uma CLT convicta." — Camila Novaes
"Você não precisa ser a protagonista, você tem que construir um caminho para que as outras pessoas sejam protagonistas." — Camila Novaes
Quem quer entender como equilibrar profundidade técnica e amplitude de competências encontra o contraponto direto no papo do Felipe com Adalberto Silvestre sobre carreira T-shaped, no Ep. 04.
